Uma lei criada para facilitar a abertura e regularização de empresas em Porto Velho está enfrentando dificuldades justamente na fase de implantação.
A mudança alterou a forma como a Prefeitura analisa os pedidos de licenças e alvarás. Com as novas regras, fiscais que anteriormente participavam da análise dos processos passaram a atuar principalmente na fiscalização.
A análise dos processos passou a depender dos chamados analistas setoriais. O problema é que essa nova estrutura ainda não está funcionando de forma suficiente para atender à demanda.
Na prática, houve uma troca de responsabilidades sem que toda a estrutura necessária para o novo modelo estivesse pronta.
O resultado é a dificuldade para concluir parte dos novos processos de licenciamento.
Contadores relatam falta de respostas
A situação já preocupa profissionais que trabalham diariamente com abertura e regularização de empresas.
Escritórios de contabilidade relatam dificuldades para conseguir alvarás e licenças para seus clientes. Além da demora, existe reclamação sobre a falta de informações claras a respeito de quando os processos voltarão a ser analisados normalmente.
Para quem está abrindo um negócio, o problema pode representar prejuízo.
Antes mesmo de conseguir a autorização para funcionar, o empresário normalmente já assumiu despesas com aluguel, funcionários, reformas, equipamentos e outros investimentos.
Sem a documentação necessária, o empreendedor pode ficar impedido de iniciar suas atividades regularmente.
Mudança foi apresentada como forma de reduzir burocracia
O novo modelo foi apresentado pela Prefeitura como parte de uma modernização da administração municipal.
A proposta prevê procedimentos mais integrados, redução de etapas, utilização de ferramentas digitais e tratamento diferente para atividades de acordo com o nível de risco.
A ideia é que empresas com atividades de menor risco tenham um processo mais simples, enquanto atividades que exigem maior controle recebam uma análise mais detalhada.
O problema apontado não está na ideia de modernizar o sistema, mas na forma como a mudança foi colocada em funcionamento.
A legislação mudou, mas a estrutura responsável por executar algumas dessas novas tarefas ainda não está totalmente preparada.
Fiscais tiveram suas funções alteradas
A mudança também atingiu diretamente os fiscais municipais.
A Lei Complementar nº 1.080/2026 reorganizou o exercício do poder de polícia municipal e concentrou atividades de fiscalização na Superintendência Municipal de Fiscalização Integrada, a SUFIS.
Já a Lei Complementar nº 1.081/2026 alterou e revogou parte da legislação municipal anterior.
Com a reorganização, fiscais de diferentes áreas passam a integrar uma estrutura de fiscalização mais ampla, envolvendo setores como meio ambiente, obras, posturas, transportes, vigilância sanitária e tributos.
A questão é que a mudança ocorre ao mesmo tempo em que o novo sistema de licenciamento ainda está sendo implantado.
O risco de um "vazio" durante a transição
O licenciamento é uma etapa importante para o funcionamento regular de uma empresa.
Dependendo da atividade, o processo pode envolver exigências relacionadas à saúde, segurança, meio ambiente, obras e funcionamento do estabelecimento.
Por isso, quando o modelo de análise muda, é necessário garantir que exista uma equipe preparada para receber e concluir os processos.
A preocupação é que, durante a transição, o empresário fique sem saber quem será responsável pela análise, qual será o prazo e onde buscar informações sobre o andamento do pedido.
Quem procura a Prefeitura para se regularizar não pode ficar sem resposta
Um dos pontos que mais chama atenção é a situação de quem procura espontaneamente o Município para trabalhar dentro da legalidade.
O empresário apresenta a documentação, paga as taxas quando exigidas e aguarda a análise da Prefeitura.
Se o processo não avança por falta de estrutura administrativa, o prejuízo acaba recaindo sobre quem tentou regularizar sua atividade.
Isso pode gerar uma situação contrária ao objetivo da própria política de liberdade econômica: o empreendedor que busca cumprir as regras fica parado enquanto aguarda uma estrutura pública que ainda não está funcionando completamente.
Prefeitura precisa esclarecer situação
Diante das dificuldades relatadas, cresce a necessidade de informações oficiais sobre a transição.
É importante que o Município informe aos empresários e profissionais de contabilidade:
quais tipos de processos estão sendo analisados atualmente;
quem é responsável pela análise de cada pedido;
quais são os prazos previstos;
como os processos que já foram protocolados serão tratados;
quando a nova estrutura estará funcionando integralmente;
e quais procedimentos estão sendo adotados enquanto o novo sistema não estiver completo.
Essas informações são importantes não apenas para os empresários, mas também para os próprios servidores que trabalham no setor.
Modernizar é importante, mas o sistema precisa funcionar
A modernização do licenciamento pode reduzir burocracia e facilitar a vida de quem pretende abrir uma empresa.
Mas a mudança precisa vir acompanhada de estrutura, servidores, sistemas informatizados e definição clara das responsabilidades.
O desafio da Prefeitura agora é fazer com que a mudança prevista na legislação funcione na prática.
Enquanto novos processos não forem analisados normalmente e os empresários continuarem sem informações claras sobre seus pedidos, permanece uma contradição difícil de ignorar:

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