O centro de Porto Velho, que já foi símbolo de comércio, cultura e movimentação econômica, atravessa hoje um dos seus momentos mais delicados. A região tem se tornado, dia após dia, um território hostil para trabalhadores, empresários e cidadãos que ali circulam.
Permissionários do Mercado Central, um dos pontos mais tradicionais da capital, relatam perdas constantes e queda no movimento, provocados pelo aumento da insegurança e da presença de usuários de drogas nas proximidades.
“É muito pedinte. Se o cliente não pagar, eles arranham os veículos. Além disso, quando a cliente é mulher, elas são coagidas e até ameaçadas de agressão se não pagarem. E por esse motivo os clientes estão deixando de vir”, relatou um comerciante.
Outro profissional do local revelou que sofre com furtos semanais:
“Arrombam a porta, quebram as câmeras… até os aparelhos de ar condicionado já foram levados”.
A imagem registrada nesta reportagem mostra o que restou de um prédio comercial desocupado no centro da capital. O imóvel foi abandonado pelo empresário após diversos arrombamentos e furtos. Menos de uma semana depois, o local foi completamente depredado por vândalos e usuários de drogas. Vidros estilhaçados, fachada destruída, telhado arrancado e estrutura largada à própria sorte.
E esse não é um caso isolado. Diversos pontos comerciais da região central já foram desocupados pelos proprietários, diante do abandono e da falta de segurança. Usuários de drogas invadem os imóveis vazios e passam a depená-los completamente. Portas, janelas, fiações elétricas, forros e qualquer item de valor são arrancados e levados para bocas de fumo, onde são trocados por drogas. Os imóveis ficam reduzidos a escombros, com apenas as paredes em pé.
O problema, no entanto, ultrapassa os muros do mercado ou de um único imóvel. Toda a região central parece imersa num colapso social, marcado pelo uso aberto de entorpecentes, furtos e tráfico de drogas à luz do dia. Muitos moradores já se referem ao local como a “Cracolândia de Rondônia”.
O Fatos RO faz um apelo urgente para que a Prefeitura de Porto Velho e o Governo do Estado articulem uma força tarefa conjunta, com ações ostensivas de segurança pública e acolhimento social.
A situação exige mais do que paliativos: é preciso uma estratégia contínua e integrada que envolva policiamento, saúde, assistência social e fiscalização urbana.
A Polícia Militar de Rondônia, reconhecida nacionalmente por sua eficiência, precisa do suporte e diretrizes do alto comando para intensificar investigações e prender os criminosos que têm se aproveitado da vulnerabilidade das pessoas em situação de rua. Em muitos casos, moradores que inicialmente buscavam abrigo acabam sendo cooptados por facções criminosas, transformando-se em agentes do tráfico.
O comércio pede socorro. A população clama por dignidade. E o centro da capital, coração econômico e histórico de Porto Velho, não pode continuar entregue ao caos.





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