A gestão do prefeito Léo Moraes, em Porto Velho, volta ao centro de críticas após denúncia recebida pelo Portal Fatos RO apontar um cenário de abandono na zona rural e fragilidade estrutural na SEMAGRIC, Secretaria Municipal de Agricultura.
Segundo relatos de servidores públicos, a secretaria enfrenta falta de recursos para manutenção de equipamentos essenciais, como tratores, caçambas e retroescavadeiras. Muitos desses equipamentos estariam quebrados ou abandonados por falta de manutenção, impedindo a execução de programas voltados ao produtor rural, especialmente as ações porteira a dentro.
Pela atual estrutura administrativa, a manutenção de estradas é responsabilidade da SEINFRA, Secretaria Municipal de Infraestrutura, enquanto a SEMAGRIC deveria garantir suporte direto ao produtor. Na prática, nenhuma das duas frentes tem conseguido atender de forma adequada, justamente por limitações financeiras e operacionais.
O problema, no entanto, não é ausência de recurso, mas escolha de prioridade.
Em recente remanejamento de aproximadamente 2 milhões de reais para viabilizar o evento Tecnogame, a Prefeitura retirou cerca de 400 mil reais da SEINFRA, justamente da rubrica “apoio à logística de serviços básicos”. Há ainda relatos de que a própria SEMAGRIC teve seus cofres esvaziados para atender outras demandas da gestão.

Na prática, recursos que garantiriam manutenção de equipamentos, recuperação de estradas e apoio direto ao produtor foram direcionados para um evento de poucos dias.
A crítica que ganha força dentro da própria administração e entre servidores é que parte dessa decisão está ligada à condução da política de eventos comandada por Paulo Moraes Júnior, irmão do prefeito e então secretário da área, que recentemente deixou o cargo para disputar uma vaga de deputado estadual.
Nos bastidores, a avaliação é direta: enquanto os distritos enfrentam abandono, estradas precárias e falta de assistência, decisões tomadas para viabilizar eventos acabaram retirando recursos de áreas essenciais.
Servidores afirmam que os valores remanejados seriam suficientes para garantir a manutenção dos equipamentos e dar continuidade a um trabalho que beneficia famílias por anos, fortalecendo a agricultura familiar e a economia rural.
Em vez disso, optou se por investir em ações de grande visibilidade e curta duração.
O resultado é sentido na ponta. Produtores sem apoio, máquinas paradas e comunidades rurais enfrentando dificuldades que poderiam ser evitadas com planejamento e priorização adequada dos recursos públicos.
Outro ponto que chama atenção é a instabilidade interna da SEMAGRIC. Em pouco mais de um ano, cerca de três a quatro adjuntos já passaram pela secretaria, além de relatos de cargos estratégicos vagos e denúncias de funções ocupadas sem atuação efetiva, situações que serão apuradas pela reportagem.
O cenário reforça uma crítica recorrente à atual gestão: a substituição de políticas públicas estruturantes por ações de impacto imediato e visibilidade política.
A Prefeitura possui autonomia para realizar remanejamentos dentro da legalidade. No entanto, a escolha de prioridades expõe um modelo de gestão que, na prática, tem privilegiado eventos enquanto áreas essenciais enfrentam dificuldades.
Até o momento, a Prefeitura de Porto Velho não se manifestou sobre os pontos levantados.



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