Porto Velho, RO – Nesta terça-feira, 3 de junho, durante sessão na Câmara de Vereadores onde foi aprovado o reajuste salarial para profissionais da educação e agentes comunitários de saúde, o prefeito Léo Moraes voltou a adotar seu tom habitual: inflamado, político e cheio de ataques à gestão anterior. Segundo ele, ao assumir a prefeitura, percebeu que o que foi feito antes de sua chegada foi “mais maquiagem do que trabalho”.
A acusação, no entanto, se choca com a realidade vivida pela população. Após cinco meses de mandato, Léo Moraes vem acumulando promessas não cumpridas, entregas atrasadas e apropriações indevidas de ações herdadas, enquanto culpa seus antecessores por praticamente tudo. O discurso já não convence tanto quanto antes.
Prometeu, gravou vídeo, mas não entregou
Em maio, ao criticar o site de notícias Rondônia Agora — um dos poucos veículos que não se alinham à sua comunicação — Léo afirmou que o motivo do ar-condicionado da nova rodoviária ainda não estar funcionando era culpa da gestão passada. No próprio vídeo, o prefeito mostrou que o problema era apenas ligar o quadro de energia. Um mês se passou e os usuários da rodoviária continuam enfrentando o calor. Seis meses de gestão e o prefeito ainda não conseguiu sequer ligar um ar-condicionado.
Outro caso que gerou indignação é o do ônibus inclusivo para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Em 21 de fevereiro, Léo divulgou um vídeo dirigindo o veículo como se fosse uma grande novidade, quando na verdade a contratação foi feita na gestão anterior. Agora, a realidade veio à tona: as Mães Atípicas de Porto Velho publicaram uma nota cobrando soluções, afirmando que “a realidade está muito aquém da promessa”. Elas denunciam que o ônibus não está funcionando como deveria e que as famílias continuam sem atendimento.
Emergência na saúde e obra inacabada
Em 29 de janeiro, o prefeito decretou situação de emergência na saúde, convocando toda a imprensa para divulgar a medida. Na prática, até agora, nenhuma grande mudança ocorreu. As UPAs continuam lotadas, agora inclusive sem pediatras, e famílias aguardam até 6 horas por atendimento infantil.
Outro símbolo do “marketing de ação” da gestão Léo Moraes é o caso da avenida Rio de Janeiro com Guaporé. Em seu primeiro dia útil como prefeito, 2 de janeiro, ele gravou um vídeo dizendo que estava resolvendo o problema de alagamento no local. Cinco meses depois, o serviço não foi concluído. Em 3 de abril, ele voltou à área após a chuva cessar, disse que “não alagava mais”, mas não mostrou a vala imensa que permanece aberta, deixando a população em risco e sem solução definitiva.
Maquiagem oficial
Para muitos, o prefeito que acusa os outros de maquiar a cidade, tornou-se o principal maquiador institucional de Porto Velho. Com discursos inflamados, vídeos bem produzidos e muita propaganda, tenta encobrir a falta de entregas concretas e assumir créditos de iniciativas anteriores.
Enquanto isso, a população sente no dia a dia o peso da ineficiência, da demora e das promessas vazias. O discurso do passado já não basta quando o presente exige trabalho real.



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