A discussão sobre o pedágio na BR-364 tem sido marcada por discursos políticos seletivos, especialmente por parte do pré-candidato ao Senado Bruno Scheid, que recentemente atribuiu a responsabilidade do projeto exclusivamente ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao senador Confúcio Moura.
No entanto, o histórico do projeto mostra que essa narrativa é incompleta.
A modelagem de concessões rodoviárias no país foi estruturada ainda durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, sob liderança do então ministro Tarcísio de Freitas. Já no governo Lula, o projeto avançou para execução, com etapas como envio ao TCU e preparação para leilão.
Ou seja, o pedágio da BR-364 não pertence a um único governo ou espectro político. É resultado de decisões que atravessam gestões diferentes.
Ao tentar transformar o tema em um embate entre direita e esquerda, Bruno Scheid ignora um ponto central: o projeto também tem origem em um governo com o qual ele próprio mantém proximidade política.
Conhecido por sua relação pessoal com Jair Bolsonaro, Scheid construiu sua imagem pública muito mais ligada a essa proximidade do que a uma atuação institucional ou administrativa com resultados diretos para Rondônia.
E é justamente aí que surge o principal questionamento.
O que essa proximidade trouxe de concreto para o estado?
Durante os quatro anos do governo Bolsonaro, período em que Bruno Scheid manteve relação próxima com o então presidente, não há registro público de grandes obras estruturantes, investimentos relevantes ou projetos estratégicos em Rondônia diretamente vinculados a essa interlocução.
A presença, a amizade e o acesso político são elementos importantes, mas para a população o que pesa são resultados práticos. Obras, investimentos e infraestrutura são o que de fato transformam a realidade.
Além disso, o caso da BR-364 também evidencia outro fator: a atuação da bancada federal de Rondônia.
Senadores como Marcos Rogério e Jaime Bagattoli passaram a se posicionar com mais força apenas após o avanço do projeto e a consolidação do modelo de concessão. A reação, embora existente, ocorreu em estágio avançado, o que limita seu impacto prático.
O debate sobre o pedágio da BR-364 escancara uma realidade comum em períodos eleitorais, onde discursos ganham força, narrativas se simplificam e responsabilidades são direcionadas conforme a conveniência.
Enquanto a BR-364 segue sendo usada como instrumento de discurso político, a realidade nas estradas continua a mesma. Acidentes seguem acontecendo, vidas continuam sendo perdidas e a população segue pagando a conta, seja em impostos ou nas tarifas que já começam a surgir no horizonte da concessão.
Milhões são arrecadados, promessas são repetidas, mas o que a população espera, que é segurança, melhoria real da rodovia e respeito com quem depende dela todos os dias, ainda não se concretiza.
No fim, o que se vê é um problema tratado como palanque, dividido entre bandeiras políticas, enquanto quem vive a realidade da BR-364 segue aguardando aquilo que nunca deveria ter sido adiado: soluções concretas.

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