Porto Velho vive a maior crise de lixo da sua história. A capital de Rondônia se transformou em um verdadeiro lixão a céu aberto, com ruas tomadas por resíduos, urubus e mau cheiro espalhados por diversos bairros.
Desde a rescisão do contrato com a antiga empresa Marquise, a nova responsável pelo serviço, o consórcio Eco PVH, não conseguiu regularizar a coleta. O que era para ser uma solução emergencial virou um problema permanente.
Relatórios técnicos da própria Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Básicos (Seinfra) apontaram falhas graves na execução do contrato: acúmulo de lixo, ausência de caminhões suficientes, coleta irregular e risco à saúde pública. Mesmo assim, a gestão municipal ignorou as recomendações, que incluíam multa de até 30% e possível rescisão contratual.
Enquanto isso, bairros inteiros convivem com o descaso. O cenário é de abandono, com resíduos se acumulando ao lado de escolas, postos de saúde e mercados. A população, revoltada, denuncia o aumento de pragas e doenças causadas pelo lixo exposto.
A situação é tão crítica que já há pedidos para que o Ministério Público e o Tribunal de Contas apurem a omissão da Prefeitura e o descumprimento das obrigações contratuais.
“O que vemos é uma cidade sem rumo, sem planejamento e sem respeito à população”, dizem moradores das zonas Sul e Leste.
Em vez de cobrar soluções, surgiram informações de que a empresa teria oferecido vagas de emprego a vereadores, o que levantou suspeitas de blindagem política e possível conflito de interesses.
A crise do lixo em Porto Velho escancara o caos administrativo de uma gestão que, mesmo alertada por técnicos e órgãos fiscalizadores, insiste em empurrar o problema com a barriga e deixa a cidade literalmente afundada no lixo.

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