Em meio a uma das maiores enchentes dos últimos anos que assolam os distritos da capital de Rondônia, uma declaração polêmica do secretário adjunto municipal de Meio Ambiente, Renato Muzzolon Jr., causou indignação entre moradores, lideranças comunitárias e organizações da sociedade civil.
Durante visita a áreas atingidas pela cheia do Rio Madeira, o secretário afirmou, em tom informal: “Eu não conheço Porto Velho.”
A frase, dita no contexto de uma agenda institucional, acendeu críticas sobre o real comprometimento da gestão com a crise ambiental e humanitária que atinge centenas de famílias.
Imagens que circularam nas redes sociais nos últimos dias mostram o secretário adjunto acompanhado de assessores, visitando áreas alagadas, registrando momentos e posando para fotos em meio ao sofrimento da população.
Para muitos, o gesto revela não empatia, mas oportunismo — o chamado “turismo da desgraça”.
A expressão, usada para denunciar o uso político ou midiático de tragédias, ganhou força após relatos de que a visita não resultou em ações concretas de apoio imediato ou em medidas estruturantes para conter os impactos da enchente.
Em distritos como São Carlos, Nazaré, Calama e Terra Caída, os moradores enfrentam semanas de isolamento, falta de água potável, perdas materiais e ausência de assistência contínua.
“Precisamos de ajuda, não de gente tirando foto”, desabafou um morador que preferiu não se identificar. “Quando chega alguém da Prefeitura, é para aparecer. Depois, somem e nada muda.”
A confissão do secretário adjunto sobre o desconhecimento do território que deveria gerir ambientalmente foi interpretada como um retrato do distanciamento entre a administração central e as realidades periféricas da capital.
Porto Velho, que possui uma das maiores extensões territoriais entre as capitais brasileiras, com dezenas de distritos e comunidades ribeirinhas, exige de seus gestores conhecimento técnico, sensibilidade social e comprometimento político com os mais vulneráveis — especialmente em períodos de crise.
Enquanto isso, organizações da sociedade civil têm assumido o protagonismo na assistência aos atingidos, arrecadando doações e pressionando o poder público por medidas efetivas.
A Prefeitura ainda não se manifestou oficialmente sobre a declaração do secretário adjunto nem sobre as críticas ao que tem sido classificado como insensibilidade diante do sofrimento alheio.
Resta saber se a gestão transformará o episódio em autocrítica e ação ou se seguirá alimentando o roteiro do “turismo da desgraça” em vez de enfrentar as causas e consequências da tragédia.
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Quem é Renato Muzzolon Jr.?
Renato Muzzolon Jr. é engenheiro ambiental formado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e possui especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).
Além disso, é sócio-proprietário do Grupo Avistar, que atua em consultoria ambiental em obras de infraestrutura em todo o país.
Paralelamente, Muzzolon é conhecido por seu envolvimento com a cultura negra, tendo fundado a produtora Soul Black Inc., em Curitiba, que promove eventos culturais e artísticos voltados à valorização da cultura afro-brasileira.
Apesar de sua formação e experiência, a recente declaração sobre não conhecer Porto Velho levanta questionamentos sobre sua conexão com a cidade e sua efetiva atuação frente aos desafios ambientais locais.

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