A derrota da Prefeitura de Porto Velho na ação que determinou a reintegração de um servidor ao Conselho Gestor do Programa Faculdade da Prefeitura pode ter consequências muito maiores do que o simples retorno de um integrante ao colegiado.
Isso porque a decisão judicial reforça um princípio importante da administração pública: cargos ocupados por servidores eleitos ou designados para exercer mandato em conselhos não podem ser tratados como funções de livre exoneração, sujeitas apenas à vontade política do gestor de plantão.
No caso analisado pela Justiça, a exoneração foi considerada ilegal, obrigando a gestão do prefeito Léo Moraes a restabelecer o servidor em todas as suas prerrogativas, inclusive na presidência do conselho, após sucessivas derrotas judiciais e o trânsito em julgado da ação.
Na prática, a decisão cria um importante precedente para outros servidores que tiveram mandatos interrompidos pela atual administração. A partir de agora, aqueles que se sentirem prejudicados por exonerações semelhantes poderão buscar o Poder Judiciário para reivindicar o retorno às funções para as quais foram eleitos ou designados por prazo determinado.
Diferentemente dos cargos comissionados de livre nomeação e exoneração, os assentos em diversos conselhos da administração pública possuem regras próprias, prazos definidos e garantias legais destinadas a preservar a autonomia desses colegiados. Quando um servidor assume uma dessas funções, passa a exercer um mandato que não pode ser simplesmente encerrado por conveniência política.
A própria decisão que obrigou a reintegração reconhece que o mandato permanecia vigente e determinou o restabelecimento de todos os direitos e prerrogativas vinculados à função.
O episódio também lança luz sobre o que críticos da atual administração classificam como uma série de decisões arbitrárias adotadas nos primeiros meses da gestão. Para esses observadores, o caso que chegou à Justiça representa apenas uma pequena amostra de medidas administrativas tomadas sem a devida observância dos limites legais, posteriormente corrigidas pelo Poder Judiciário.
Com a derrota definitiva da Prefeitura, o caso passa a ser observado por servidores e integrantes de conselhos municipais que tiveram seus mandatos interrompidos, podendo desencadear novas ações judiciais contra o Município nos próximos meses.


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