O clima esquentou de vez na Câmara Municipal de Porto Velho. O vazamento de áudios envolvendo vereadores em discussões sobre o empréstimo de 180 milhões de reais desencadeou uma crise interna que expôs um ambiente de desconfiança e tensão.
Após a repercussão nos grupos de mensagens, o presidente da Casa, Gedeão Negreiros, convocou uma reunião emergencial. Segundo relatos, ao menos três vereadores disseram que colegas tiveram seus celulares revistados durante o encontro. Nenhuma medida formal foi registrada, mas o clima de suspeita gerou silêncio estratégico entre os parlamentares.
“Até conversar virou risco”, comentou um dos vereadores, em reserva. A frase resume o estado atual da Câmara: qualquer palavra fora do lugar pode custar caro.
Na reunião em que os áudios foram gravados, não estavam presentes apenas vereadores. Também havia assessores do Executivo, servidores de apoio e até garçons circulando pelo ambiente. Em meio a tantas presenças, a origem da gravação ainda é incerta, mas os efeitos já são bem visíveis.
Em meio ao encontro, o secretário geral da Prefeitura, Sérgio Paraguassu, fez uma declaração irônica: teria oferecido um cargo com salário de dez mil reais a quem descobrisse o autor do vazamento. Faltou só propor o cargo de secretário. A fala informal provocou desconforto, principalmente entre os que se viram pressionados sem qualquer envolvimento direto.
Os áudios rapidamente se espalharam por grupos de WhatsApp em todo o estado de Rondônia. A repercussão foi tão grande que ofuscou o debate principal: o endividamento de 480 milhões de reais, somando os 300 milhões já aprovados em janeiro aos 180 milhões recém-aprovados. A pergunta mais urgente era “como pagar?”, mas o foco virou “quem gravou?”.
Enquanto isso, chama atenção o silêncio de alguns que também estavam na sala e nunca foram cogitados como suspeitos. Curiosamente, são os mesmos que não ocupam cadeiras no plenário, mas acompanham de perto cada pauta de interesse da gestão.
Confira aqui os áudios:

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