Mesmo diante da repercussão das denúncias sobre o uso de máquinas, servidores e recursos públicos da Prefeitura de Porto Velho em obras realizadas no pátio da Igreja Assembleia de Deus, um fato tem chamado atenção e gerado questionamentos no meio político e na sociedade: o silêncio da vice-prefeita Magna dos Anjos.
Até o momento, a vice-prefeita não se manifestou publicamente sobre o caso. Não houve nota, explicação, posicionamento institucional nem manifestação pessoal repudiando o uso de bens públicos em benefício de entidade religiosa privada. Tampouco houve qualquer esclarecimento sobre eventual participação ou conhecimento prévio da situação.
A ausência de manifestação causa estranheza, sobretudo porque Magna dos Anjos é membra da igreja beneficiada pelas obras e ocupa um dos cargos mais altos da administração municipal, sendo parte direta da gestão responsável pelos serviços públicos.
Prefeitura se esquiva e vice-prefeita se cala
Questionada, a Prefeitura de Porto Velho informou que não comentaria o Termo de Ajustamento de Conduta firmado entre o Ministério Público e a igreja, alegando que se trata de um acordo que não envolve diretamente o Executivo municipal.
No entanto, a justificativa não afasta o papel institucional da vice-prefeita, que integra a gestão municipal e, ao mesmo tempo, mantém vínculo direto com a entidade religiosa envolvida no caso.
Para especialistas em administração pública ouvidos pela reportagem, mesmo quando um TAC é firmado entre o MP e um terceiro, espera se posicionamento político e institucional quando há indícios de uso indevido de recursos públicos, especialmente em situações que envolvem possível conflito entre interesses públicos e religiosos.
Relação política e aconselhamento estratégico
Nos bastidores da política local, é conhecido que a vice-prefeita conta com aconselhamento político de Walter Araújo, ex deputado estadual e membro da mesma igreja. Embora a reportagem não entre no histórico político ou judicial do ex parlamentar, a relação de aconselhamento reforça a expectativa de um posicionamento público mais claro e transparente por parte da vice-prefeita.
O que chama atenção não é apenas o caso, mas o silêncio
A reportagem do Fatos RO não atribui diretamente a vice-prefeita a autoria ou articulação das obras, mas destaca que, diante da gravidade das denúncias e da repercussão do caso, o silêncio absoluto chama atenção.
Se não houve participação ou anuência, espera se ao menos um posicionamento público de repúdio ao uso indevido de bens públicos. Se houve conhecimento, a sociedade espera explicações.
Em qualquer dos cenários, a ausência de manifestação amplia dúvidas e alimenta questionamentos legítimos da população sobre transparência, moralidade administrativa e respeito ao princípio da laicidade do Estado.
Espaço aberto
O Fatos RO mantém o compromisso com o contraditório e informa que o espaço permanece aberto para manifestação da vice-prefeita Magna dos Anjos ou de sua assessoria, caso queiram apresentar esclarecimentos sobre o caso.

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