Porto Velho (RO) – No dia 8 de janeiro, durante sua primeira coletiva como prefeito, Léo Moraes afirmou que a Prefeitura de Porto Velho enfrentava um cenário de “relativa rigidez fiscal”, com “baixíssima capacidade de investimento” e “dificuldades financeiras” herdadas da gestão anterior. A promessa era de austeridade, corte de excessos e foco em uma “máquina eficiente e moderna”.
Mas seis meses depois, os números mostram que o aperto do cinto vale para alguns, não para todos.
Segundo dados oficiais do Portal da Transparência, o irmão do prefeito, Paulo Roberto Oliveira de Moraes Júnior, recebeu R$ 45.758,88 líquidos apenas no mês de junho. O valor bruto ultrapassou os R$ 53 mil, somando salário base, gratificações e adiantamento de parte do décimo terceiro salário. É, até aqui, o maior valor já registrado para um membro do primeiro escalão nesta gestão.
Só no primeiro semestre, Paulo Júnior já acumula mais de R$ 216 mil pagos com recursos públicos.
Enquanto a gestão divulga cards, vídeos e declarações oficiais sobre contenção de despesas e crise financeira, os salários do alto escalão seguem turbinados. A economia defendida por Léo Moraes na teoria, na prática parece não atingir quem está mais perto dele, principalmente os que compartilham o mesmo sobrenome.
Na última apresentação das contas públicas, o prefeito destacou que a cidade poderá fechar o ano com superávit de R$ 270 milhões, sendo R$ 97 milhões em recursos livres. Mesmo assim, reforçou que o momento exige “rigor nos contratos” e “revisão nas despesas”.
Mas como explicar, então, super salários para secretários municipais? Como justificar mais de R$ 45 mil em um único contracheque, justamente quando a gestão diz estar fazendo sacrifícios para manter o equilíbrio fiscal?
Para o povo, sobram os cortes, a revisão de programas e o discurso de responsabilidade. Para os membros do núcleo duro do governo, os benefícios seguem preservados e elevados.
A economia, ao que parece, existe sim. Mas só quando o benefício não é para eles.
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