Um boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil de Rondônia relata um grave episódio de ameaça, humilhação e possível capacitismo ocorrido dentro de uma escola estadual em Porto Velho. O caso envolve um professor da rede pública, identificado pelas iniciais C. E. V. O., que afirma ter sido ameaçado de morte por uma colega de trabalho durante expediente escolar.
Segundo o registro, o fato ocorreu na manhã do dia 2 de dezembro de 2025, na Escola Estadual Sebastiana Lima de Oliveira, no bairro Eletronorte. De acordo com o professor, tudo começou após ele pedir que a porta da sala dos professores fosse fechada para evitar distrações durante a correção de avaliações.
Conforme o boletim, a professora identificada pelas iniciais S. C. L. A. reagiu de forma exaltada e agressiva, dirigindo ofensas pessoais ao colega, inclusive contestando um laudo médico que atesta que ele possui Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ainda segundo o relato, a professora afirmou que o docente “não era autista”, passou a rotulá-lo de forma pejorativa e o expôs diante de outros servidores da escola.
O professor relatou à polícia que, durante o conflito, ouviu da colega a ameaça direta: “vou dar um tiro na tua cara”, além de frases em tom intimidatório, o que o levou a temer de forma real por sua integridade física.
Em conversa com a vítima, a reportagem foi informada de um detalhe considerado relevante: outros professores já haviam feito o mesmo pedido para que a porta fosse fechada em ocasiões anteriores, sem que houvesse qualquer reação agressiva. Segundo ele, a exaltação, humilhação e ameaça ocorreram apenas quando o pedido partiu dele, o que reforça a suspeita de tratamento discriminatório e capacitista em razão de sua condição de pessoa com TEA.
Ainda conforme o boletim, o episódio aconteceu na presença de vários professores, além da coordenação e orientação pedagógica da escola, que podem atuar como testemunhas. A situação foi comunicada imediatamente à direção da unidade, que realizou registro interno do ocorrido.
A ocorrência foi registrada como ameaça, prevista no artigo 147 do Código Penal Brasileiro, e será apurada pela 4ª Delegacia de Polícia Civil de Porto Velho. O professor relatou forte abalo emocional, sensação de vulnerabilidade e insegurança no ambiente de trabalho, agravadas pelo fato de já conviver com um transtorno reconhecido por laudo médico.
A reportagem destaca que o boletim de ocorrência reflete o relato da vítima, e que o caso seguirá para investigação, assegurando o direito ao contraditório e à ampla defesa.

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