A gestão do prefeito Léo Moraes tem se especializado em apagar rastros da administração anterior, mesmo que isso signifique dar voltas em círculos. Nesta terça-feira (6), a Câmara de Vereadores de Porto Velho analisa o projeto de criação da chamada Agência Reguladora de Serviços Públicos do Município (ARDPV), proposta pela atual gestão como se fosse uma inovação. No entanto, trata-se da mesma agência que havia sido criada na gestão do ex-prefeito Hildon Chaves — e que foi extinta por Léo logo após assumir o mandato, no início de 2025.
A extinção da antiga agência, à época, foi justificada por suposto “inchaço da máquina pública” e por “vícios políticos”. Mas o que se vê agora é a volta da mesma estrutura, com alterações pontuais — e um agravante: salários turbinados e ampliação do número de cargos comissionados. A nova proposta prevê uma estrutura de 60 cargos, todos comissionados. Para comparação, a antiga agência contava com 42 cargos, dos quais 22 seriam ocupados por meio de concurso público.
Nos bastidores, a motivação para a extinção da agência original era outra: o prefeito Léo Moraes não teria como interferir na diretoria da autarquia, já que os cargos de comando eram de mandato fixo. Sem poder para nomear aliados, optou por dissolver o órgão, alegando economia. Agora, porém, propõe uma nova agência moldada à sua conveniência.
O projeto de lei encaminhado à Câmara traz mudanças que chamam atenção pelos valores envolvidos. O cargo de secretário-executivo, que antes tinha salário de R$ 5 mil, passa a ter remuneração de R$ 18 mil. A diretoria, antes com salário de R$ 17 mil, agora deve receber R$ 24 mil mensais. Curiosamente, cargos de gerente e assessor foram nivelados com a mesma remuneração, sem qualquer justificativa plausível — o que levanta suspeitas sobre a real finalidade da proposta.
A incoerência da atual gestão é evidente. A mesma estrutura que foi desmontada com discurso moralista agora é reconstruída com salários inflados e sem previsão de concurso público. Para críticos, a nova agência tem um único objetivo: abrigar aliados políticos e consolidar o poder do prefeito dentro da máquina pública.
Enquanto isso, a cidade segue à espera de soluções efetivas para problemas urgentes nos serviços de transporte, saneamento e energia — que, ironicamente, seriam justamente os alvos da fiscalização dessa agência.

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