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Terça-feira, 03 de Novembro de 2026
‘Me dá nojo. Lágrimas de crocodilo’: Campeão do mundo detona saída de Paulo Fonseca do Lyon

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‘Me dá nojo. Lágrimas de crocodilo’: Campeão do mundo detona saída de Paulo Fonseca do Lyon

Christophe Dugarry não poupou críticas a Paulo Fonseca diante da iminente saída do treinador português do Lyon. Na última segunda-feira (2), durante participação no programa "Rothen s'enflamme", da "RMC", o ex-jogador francês demonstrou profunda indignação com a decisão do comandante de abandonar o projeto do clube antes do encerramento da temporada. A revolta ganhou ainda …

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‘Me dá nojo. Lágrimas de crocodilo’: Campeão do mundo detona saída de Paulo Fonseca do Lyon

Christophe Dugarry não poupou críticas a Paulo Fonseca diante da iminente saída do treinador português do Lyon. Na última segunda-feira (2), durante participação no programa “Rothen s'enflamme”, da “RMC”, o ex-jogador francês demonstrou profunda indignação com a decisão do comandante de abandonar o projeto do clube antes do encerramento da temporada. A revolta ganhou ainda mais força após as lágrimas de Fonseca na vitória por 2 a 0 sobre o Angers, no domingo (1), pela Ligue 1.

Apesar de tentar preservar alguma ambiguidade sobre o futuro, o português já tinha praticamente definido seu próximo destino. Conforme informações divulgadas pela imprensa francesa e portuguesa, Fonseca deixará o Lyon nos próximos dias para assumir o Sporting, clube pelo qual nutre uma ligação especial desde a infância. O técnico deve ocupar a vaga de Rui Borges, cuja saída da equipe lisboeta é esperada em breve.

A possibilidade de uma despedida antecipada provocou uma reação contundente de Dugarry, campeão mundial com a França em 1998. Para o comentarista, a escolha do treinador representa um problema que ultrapassa os interesses particulares do Lyon e expõe uma transformação preocupante no comportamento dos profissionais do futebol.

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Dugarry critica saída antecipada e questiona compromisso de Fonseca

Paulo Fonseca orienta jogadores durante jogo do LyonPaulo Fonseca orienta jogadores durante jogo do Lyon (Foto: ANP / Icon Sport)

Dugarry argumentou que a função de um treinador vai muito além da condução dos jogos e envolve uma responsabilidade permanente com o desenvolvimento dos atletas e a construção de vínculos dentro do clube. Na avaliação do francês, abandonar o trabalho antes do fim da campanha significa interromper um processo que ainda exige dedicação, especialmente diante da presença de jogadores jovens no plantel.

— Acho isso terrível para o futebol em geral. Me dá nojo. Por muito tempo, dissemos que os jogadores eram mercenários e que só pensavam em dinheiro. Agora são os técnicos. O time foi montado para vocês (técnicos). Não conseguem terminar a temporada? Não entendo essa ideia.

O comentarista ainda aprofundou sua visão sobre o papel de um comandante na formação de um elenco. Para ele, a relação entre técnico e jogadores não deveria ser limitada aos resultados ou às oportunidades profissionais, mas construída também a partir da convivência cotidiana e do envolvimento com o crescimento individual dos atletas.

— Vocês têm jogadores jovens que precisam de vocês para atingirem seu potencial máximo. O que é um técnico? Ele leva um grupo à maturidade, ajuda seus jogadores a progredirem, fica feliz em vê-los todos os dias no treino. Há uma troca, uma paixão. Um técnico é um líder, um guru, um profeta, alguém importante na carreira, no clube. É diferente de um jogador.

Francês rejeita lágrimas de Fonseca e relembra apoio do Lyon

O choro de Paulo Fonseca após a vitória do Lyon sobre o AngersO choro de Paulo Fonseca após a vitória do Lyon sobre o Angers (Foto: Stephane Pillaud / Icon Sport)

A manifestação de Paulo Fonseca após o triunfo sobre o Angers também se tornou um dos principais pontos da contestação. O treinador português foi às lágrimas diante dos jogadores e deixou o gramado visivelmente emocionado, em uma cena que poderia simbolizar sua despedida à frente do time. Na visão de Dugarry, entretanto, a demonstração de tristeza não combina com a decisão de deixar o trabalho antes de sua conclusão.

— Estou chocado. Certamente teremos que nos acostumar com isso. É terrível para o futebol e terrível para os torcedores do Lyon. Não é justo da parte de Fonseca. Acho chocante, me perturba completamente. Ele poderia ter ficado. Não acredito nessas lágrimas de crocodilo. Porque se dói tanto assim, você fica. Ninguém o obrigou a sair.

O ex-atacante também recuperou um episódio delicado da passagem de Fonseca pelo futebol francês para reforçar sua argumentação. Em março de 2025, o treinador recebeu uma suspensão de nove meses do Comitê Disciplinar da Liga de Futebol Profissional da França, após um incidente que envolveu sua reação diante de um árbitro. Durante o período em que esteve afastado dos gramados, o Lyon manteve o apoio ao português, que acompanhou partidas das arquibancadas.

Dugarry considera que o respaldo recebido naquela ocasião torna ainda mais difícil compreender a decisão de abandonar o projeto antes do término da temporada. O comentarista afirmou que o clube e seus profissionais trabalharam para superar o episódio e criticou o que considera uma contradição entre o comprometimento demonstrado anteriormente e a saída agora encaminhada.

— Você foi suspenso por seis meses por algo mais do que questionável, o clube continuou te apoiando quando você estava nas arquibancadas, tudo correu bem, todos arregaçaram as mangas. Você mostrou que queria se envolver e tudo isso é falso. É tudo uma farsa, na verdade, e este futebol está se tornando uma farsa — concluiu.

Paulo Fonseca chegou ao Lyon em 31 de janeiro de 2025, contratado para substituir Pierre Sage, demitido naquele momento. Com passagens por Porto, Paços de Ferreira, Braga, Shakhtar Donetsk, Lille e Milan, entre outros clubes, o português assumiu uma equipe que buscava estabilidade e melhores resultados esportivos. Seu vínculo com os franceses tinha validade até 30 de junho de 2027.

Durante o período à frente do Lyon, o treinador conseguiu conduzir o clube a duas classificações para a Liga Europa, mas não alcançou o principal objetivo esportivo de garantir uma vaga na Champions League. A transferência para o Sporting, além de encerrar antecipadamente seu ciclo na França, deverá render uma compensação financeira ao Lyon, que receberá uma indenização pela liberação do técnico.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Calvano
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