Um evento de games no valor de R$ 2 milhões para apenas dois dias de programação está gerando questionamentos em Porto Velho e colocando em debate as prioridades da administração municipal.
O evento está sendo organizado pela Secretaria Municipal de Turismo, Esporte e Lazer (SEMTEL), comandada pelo secretário Paulo Moraes, irmão do prefeito Leo Moraes e pré candidato a deputado estadual.
A contratação foi realizada por meio da Inexigibilidade de Licitação vinculada ao processo administrativo nº 014.000941/2025-51, que prevê a contratação da empresa Ayra Hub Inovações e Tecnologia Ltda para realizar o evento denominado Porto Velho Tecnogame, previsto para ocorrer nos dias 21 e 22 de março de 2026.
Informações constam no Diário Oficial
Com base na publicação no Diário Oficial dos Municípios, consta o Termo de Inexigibilidade de Licitação nº 0604196/2026 – SEMTEL, que formaliza a contratação da empresa responsável pela organização do evento.
O documento descreve a contratação de empresa especializada em planejamento, organização, produção e execução de evento envolvendo todo o ecossistema de games e tecnologia, incluindo estrutura, logística e suporte técnico.
O valor total previsto para a contratação é de R$ 2.000.000,00.
Processo avançou em pouco mais de 30 dias
A rapidez da tramitação do processo chama atenção.
Os atos administrativos ocorreram entre 12 de janeiro de 2026, quando o processo foi iniciado, e 03 de março de 2026, data da publicação do decreto de remanejamento orçamentário que garantiu os recursos para o evento.
Ou seja, todo o procedimento que resultou na contratação de R$ 2 milhões para um evento de apenas dois dias avançou em pouco mais de um mês.
Servidores municipais ouvidos pela reportagem afirmam que outros projetos relevantes e com impacto direto na vida da população aguardam andamento desde 2024, sem receber a mesma prioridade administrativa.
Recursos foram retirados de quatro secretarias
De acordo com o Decreto nº 21.802, publicado no Diário Oficial em 03 de março de 2026, a prefeitura realizou o remanejamento de R$ 2 milhões no orçamento municipal para viabilizar o evento.
Os recursos foram retirados de quatro áreas da administração pública:
SMTI – Superintendência Municipal de Tecnologia da Informação
➡ R$ 600 mil retirados de ações de modernização de tecnologia.
PGM – Procuradoria Geral do Município
➡ R$ 400 mil retirados da administração da unidade.
SEINFRA – Secretaria Municipal de Infraestrutura
➡ R$ 400 mil retirados de ações de apoio logístico de serviços básicos.
SEMTRAN – Secretaria Municipal de Segurança, Trânsito e Mobilidade
➡ R$ 600 mil retirados da modernização e manutenção de sinalização semafórica.
Todo o valor foi direcionado para a SEMTEL, secretaria responsável pela organização do evento.
Evento será realizado em espaço privado
O Termo de Referência também prevê a locação do espaço Villa Privilege, localizado na Avenida Mamoré, em Porto Velho.
O custo estimado para a locação do local é de R$ 60 mil para apenas dois dias de evento.
Secretário não aparece como signatário
Outro ponto que chama atenção nos documentos publicados é que o secretário Paulo Moraes não aparece como signatário do Termo de Inexigibilidade, apesar de ser o titular da pasta responsável pela contratação.
O documento publicado no Diário Oficial aparece assinado por Rodrigo Ferreira Campos, diretor do Departamento Administrativo e secretário executivo de turismo em substituição.
Câmara enfrenta cortes e servidores são prejudicados
Enquanto a prefeitura direciona R$ 2 milhões para um evento de dois dias, a Câmara de Vereadores de Porto Velho enfrenta forte contingenciamento financeiro após a redução do repasse do duodécimo.
Como consequência, o Legislativo iniciou medidas de corte de despesas que atingem diretamente os servidores, incluindo a redução do auxílio alimentação de R$ 500 para apenas R$ 100.
Prioridades em debate
A realização de um evento de entretenimento financiado com recursos remanejados de diferentes secretarias ocorre em um momento em que a administração municipal enfrenta queda de arrecadação e o Legislativo realiza cortes que impactam diretamente servidores.
A situação levanta questionamentos sobre as prioridades da gestão pública e pode ser analisada por órgãos de controle caso haja formalização de denúncia.



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