Vítor Pereira cumpriu sua missão de salvar o Nottingham Forest do rebaixamento na Premier League na última temporada. Contratado em fevereiro, quando o time estava a três pontos do Z3, ele os deixou na 16ª posição, cinco de pontuação à frente do rebaixado West Ham e acima até do Tottenham. Mesmo assim, o treinador foi demitido de forma pouco justa.
O contrato do português com os Reds tinha uma cláusula que permitia que qualquer uma das partes pudesse encerrar o vínculo antes do fim de junho. Eis que, às 23h58 de 30 de junho, Pereira recebeu o e-mail de sua demissão.
Naquele momento, o treinador de 58 anos já tinha analisado os aspectos positivos e negativos da temporada anterior, marcado os amistosos da pré-temporada e até mirado possíveis reforços. Em algumas semanas os jogadores se apresentariam. Mas foi com outro técnico.
“Foi uma surpresa completa”, revelou VP em uma longa entrevista ao site “The Athletic”. “Nunca ouvi nada que me levasse a sentir ou pensar que o clube não contava mais comigo. No fim das contas, eles tinham o direito de decidir o que queriam para o clube, e eu aceito isso.” Ele respeitou a decisão, mas não o jeito que a gestão do dono Evangelos Marinakis adotou.
— A única coisa que não foi correta foi a maneira como fizeram. Essa foi a única parte injusta. Mandar um e-mail… dois minutos antes da meia-noite, quando já tínhamos organizado tudo para a pré-temporada.
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Por que o Forest mudou de ideia em relação a Vítor Pereira
A decisão do Forest tão em cima da hora tem um motivo por trás. Foi logo após o clube descobrir que Oliver Glasner, técnico recém-campeão da Conference League e vencedor da Copa da Inglaterra em 2025 pelo Crystal Palace, estava interessado em assumir o projeto após sua saída dos Eagles.
— Se tivessem me dito: ‘Vítor, apesar de você já ter organizado tudo, temos outra possibilidade…’, tudo bem. Isso é futebol. Na minha carreira, passei muitos anos trabalhando em diferentes países, com diferentes culturas. Tenho bastante experiência. E sei que, às vezes, o futebol é assim — desabafou o português.
— Mas, tudo bem, não sou o tipo de pessoa que fica remoendo o passado. Prefiro viver o presente, e o presente significa estudar, me preparar e ficar mais forte para a próxima oportunidade. Quero guardar na memória o trabalho que fizemos lá. Levo comigo o carinho dos torcedores, das pessoas do clube e dos jogadores. É isso que guardo no coração e na memória.
A mudança do Nottingham, porém, até o momento não se justificou. O time é o vice-lanterna da atual Premier League, com apenas uma vitória em nove rodadas. São cinco partidas seguidas sem vencer. Além disso, já foram eliminados na Copa da Liga Inglesa.
Vítor Pereira cansou de ser ‘bombeiro'
O trabalho de Vítor Pereira para salvar o Forest da queda foi igual ao seu cargo anterior, o primeiro na Premier League, no Wolverhampton. O treinador assumiu os Wolves na metade de 2024/25 e conseguiu garantir a permanência. No entanto, ao continuar no cargo, foi demitido na temporada seguinte, em novembro do ano passado, deixando o time na lanterna da liga antes deles serem rebaixados.
O português, agora, prevê um passo diferente na carreira. Não quer mais assumir equipes que estejam na luta contra o rebaixamento. “Não sou um técnico-bombeiro”, cravou.
— Quero provar meu valor enfrentando e competindo com os melhores treinadores da liga, e fazer algo especial. Quando você assume um time no meio da temporada, é porque alguma coisa não está funcionando. Isso significa que preciso aceitar essa situação, começar com energia e dar os passos certos para construir algo sólido.
Pereira garante que buscará projetos que lhe possam disputar o título da elite inglesa. Ele recebeu propostas recentemente que, em outro momento da carreira, poderia ter aceitado.
— Meu objetivo para o futuro é disputar títulos na Premier League. Se você olhar para a minha carreira antes de chegar à Inglaterra, verá que quase sempre trabalhei para conquistar títulos. Preciso dar os passos certos para chegar a esse nível na Premier League. Mas esse é o meu objetivo.
A ver se essa oportunidade chegará ao treinador português. A última vez que assumiu um time que era favorito a títulos nacionais foi o Flamengo, em 2023, quando fracassou no Campeonato Carioca, Recopa Sul-Americana, Supercopa do Brasil e Mundial de Clubes e acabou demitido em três meses.

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