O Liverpool de Andoni Iraola ainda busca o equilíbrio entre a intensidade que caracteriza o trabalho do treinador espanhol e a eficiência necessária para competir em alto nível na Premier League. A equipe tem encontrado dificuldades para transformar a pressão sobre os adversários em oportunidades claras, enquanto a adaptação ao novo modelo de jogo exige ajustes na criação ofensiva e na organização defensiva.
A derrota por 3 a 0 para o Manchester City, em Anfield, evidenciou parte desses problemas. A expulsão de Ryan Gravenberch, aos 62 minutos, quando o placar ainda estava zerado, condicionou o confronto, e os visitantes aproveitaram a superioridade numérica para marcar três vezes. Na Champions League, a resposta veio com uma vitória por 6 a 3 sobre o LASK, em uma partida que destacou o potencial ofensivo dos Reds, mas também expôs fragilidades na defesa.
Liverpool na temporada 2026/27
- 5 vitórias
- 3 empates
- 1 derrota
- 18 gols marcados
- 12 gols sofridos
- Nono lugar da Premier League
- Quinto colocado da Champions League
Criação ofensiva e adaptação de Wirtz são prioridades
A primeira tarefa de Iraola é fazer com que a posse de bola e as recuperações no campo adversário resultem em oportunidades de maior qualidade. Pressionar a saída rival coloca o Liverpool em boas condições para atacar, mas a vantagem desaparece quando a equipe demora a decidir ou permite que a defesa adversária recomponha suas linhas. A circulação precisa ser acompanhada de movimentações que abram espaços e facilitem a chegada à área.
Florian Wirtz ocupa uma posição central nesse processo. Contratado para elevar a criatividade da equipe, o alemão ainda precisa exercer influência mais constante na Premier League, especialmente na construção das jogadas decisivas. Sua capacidade de encontrar passes entre as linhas pode oferecer alternativas contra defesas compactas, desde que os companheiros criem opções de aproximação e movimentem a marcação.
O desempenho diante do LASK trouxe um sinal positivo. Wirtz participou da construção ofensiva em uma atuação na qual Bradley Barcola marcou três vezes. O alemão também contribuiu para a circulação da bola e encontrou espaços entre os defensores austríacos, mostrando como pode participar da criação sem precisar assumir sozinho a responsabilidade de organizar os ataques.
Iraola precisa encontrar uma posição que permita ao meia-atacante receber a bola de frente para o gol e se aproximar dos finalizadores. Quando Wirtz recua constantemente para participar da construção, fica distante das zonas em que seu passe final pode ser decisivo. Se permanece adiantado sem apoio, por outro lado, torna-se mais fácil de marcar. O posicionamento dos demais jogadores será fundamental para que o alemão consiga explorar melhor suas principais qualidades.
O Liverpool também precisa variar a maneira como chega à área. A velocidade nas transições é uma arma importante, mas nem todos os adversários oferecem espaço para ataques rápidos. Contra equipes que recuam e protegem o centro, os Reds precisam movimentar a defesa, explorar os corredores e encontrar o momento certo para infiltrar. A qualidade da última decisão será tão importante quanto a capacidade de recuperar a bola.
Isak, Barcola e o equilíbrio da pressão alta
A produção ofensiva também depende da conexão entre os principais atacantes. Alexander Isak, que ficou fora do confronto contra o Manchester City por causa de uma lesão muscular na coxa, precisa receber em condições favoráveis de finalização quando estiver disponível. Os pontas, por sua vez, devem alternar entre atacar a última linha defensiva e participar de combinações pelo centro, evitando que o centroavante fique isolado entre os zagueiros.
Barcola mostrou contra o LASK como a velocidade e a capacidade de atacar os espaços podem ampliar as possibilidades do Liverpool. O francês marcou três gols e encerrou a partida com uma atuação de destaque, enquanto Wirtz também teve participação importante. O desempenho abriu espaço para uma parceria promissora entre os dois, que podem combinar passes curtos, infiltrações e ataques em profundidade.
A goleada, entretanto, precisa ser analisada com cautela. O time austríaco ofereceu espaços que nem sempre estarão disponíveis na Premier League e também marcou três vezes. A partida demonstrou a capacidade dos Reds de explorar as brechas de uma defesa adversária, mas não eliminou as dúvidas sobre a consistência do sistema defensivo.
E esse problema está diretamente ligado à proposta de Iraola. O treinador aposta em pressão intensa e recuperação rápida da bola, um modelo que exige coordenação entre os setores. Se os atacantes pressionam sem bloquear as linhas de passe, os adversários podem superar a primeira linha e encontrar espaço para contra-atacar. Os defensores ficam, então, expostos a situações de igualdade ou inferioridade numérica.
A expulsão de Gravenberch condicionou o duelo contra o City, mas a partida também evidenciou a dificuldade de enfrentar uma equipe tecnicamente qualificada quando ela encontra espaço para avançar. Iraola precisa preservar a agressividade sem transformar a pressão alta em uma obrigação permanente. Em determinados momentos, baixar as linhas e proteger a região central pode ser mais eficiente do que tentar recuperar a bola imediatamente.
Recuperar consistência e administrar o elenco
A disponibilidade dos jogadores representa outro desafio para a comissão técnica. As lesões de Isak e Cody Gakpo reduziram as opções ofensivas para o confronto diante do Manchester City, enquanto os problemas físicos de Conor Bradley e Dominik Szoboszlai também afetaram as alternativas disponíveis. Giovanni Leoni, em recuperação de uma lesão grave no joelho, segue um processo mais longo de reabilitação.
As ausências exigem cuidado na distribuição dos minutos, especialmente em uma temporada que combina compromissos nacionais e internacionais. O modelo de Iraola demanda esforço físico constante para pressionar, recompor e voltar a atacar. Sem alternativas suficientes, o desgaste pode comprometer a intensidade e a concentração nos minutos finais.
A utilização dos jovens também pode ampliar as possibilidades do treinador. Lewis Koumas, por exemplo, tem sido titular — na ausência de Isak — e marcou diante do LASK. Iraola demonstrou disposição para confiar em jogadores formados na base, embora a integração deles precise acontecer sem transferir responsabilidades excessivas a atletas ainda em desenvolvimento.

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