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Terça-feira, 13 de Outubro de 2026
Tim Vickery: Cristiano Ronaldo, Neymar e o papel de um verdadeiro ídolo no futebol

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Tim Vickery: Cristiano Ronaldo, Neymar e o papel de um verdadeiro ídolo no futebol

Tem uma tensão bem no coração do futebol -- a glória é coletiva e também individual, pois o time ganha e o holofote fica em cima do craque. E nos últimos anos tem forças poderosas -- de marketing e mídias sociais -- puxando a disputa no mesmo sentido. A propaganda das empresas de equipamento esportivo fica …

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Tim Vickery: Cristiano Ronaldo, Neymar e o papel de um verdadeiro ídolo no futebol

Tem uma tensão bem no coração do futebol — a glória é coletiva e também individual, pois o time ganha e o holofote fica em cima do craque. E nos últimos anos tem forças poderosas — de marketing e mídias sociais — puxando a disputa no mesmo sentido.

A propaganda das empresas de equipamento esportivo fica muito em cima da grande estrela. Reels, shorts, stories e outras imagens registram e comemoram a sua habilidade extraordinária, até em lances que não produz nenhum efeito no jogo. E daí que tem muitos torcedores hoje em dia que seguem um craque individual, tanto ou até mais que um time.

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O meu neto é um torcedor apaixonado, do estádio mesmo, do Flamengo. Mas o seu ídolo máximo é Cristiano Ronaldo. Ele tem nove anos (o meu neto, óbvio, e não o jogador, que tem muito mais, que é onde fica o problema). Portanto, nunca viu o ídolo dele no auge. Na verdade, não sei exatamente como ele definiu essa preferência. Mas fica claro que as mídias sociais têm um peso no processo.

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Preciso ter uma conversa difícil com o meu neto, pois acho que, nesta última data Fifa, o ídolo dele passou todos os limites.

Cristiano Ronaldo na seleção de Portugal: O limite entre o recorde e o ego

Não importa quão brilhante é — ou era — o jogador, ele não pode ditar as regras de escalação e substituições em cima do técnico. Parece que Cristiano Ronaldo está se esforçando para transformar todos na seleção portuguesa em meros figurantes apoiando a sua busca para recordes individuais. Num esporte coletivo, enxergo isso com uma inversão total de valores.

Verdade, tenho que aceitar as limitações da minha formação, idade e país de origem. Cresci numa época em que o jogador talentoso no futebol inglês era muitas vezes visto com uma certa desconfiança, normalmente por falta de combatividade. No futebol brasileiro, tenho que reconhecer que, entre as explicações da produção de tantos craques, estão a tolerância e os privilégios com que o talentoso é tratado.

Cristiano Ronaldo durante coletiva pela seleção de Portugal (Foto: IMAGO / Propaganda Photo)Cristiano Ronaldo durante coletiva pela seleção de Portugal (Foto: IMAGO / Propaganda Photo)

Mas, na busca eterna pelo equilíbrio, tem que ter limites. Acho que o comportamento de Cristiano Ronaldo representa uma mancha na carreira dele na seleção portuguesa. Verdade, uma mancha relativamente pequena em comparação com a carreira, mas uma mancha mesmo assim.

Vejo isso como uma coisa simples. Por um lado, a estrela brilha forte quando o coletivo está bem arrumado. Por outro lado, o verdadeiro craque coloca o seu talento à disposição do coletivo. Caso contrário, trata-se de um caso de ‘tu finish.’

Essa frase, obviamente, leva a gente para Neymar.

Postura de Neymar contra a Noruega e a falta de liderança

Curioso para ver se o craque santista seria capaz de brilhar na Copa, assisti vários jogos dele no primeiro semestre. Cheguei, na insignificância da minha opinião, à conclusão que a condição física dele não ia permitir.

Acho que é uma grande simplificação declarar que os jornalistas estavam contra a convocação dele e os ex-jogadores estavam a favor — ainda bem, pois se fosse tão verdade não ia pintar bem para os ex-jogadores. Mas também lembro que tinham ex-atletas frisando que Neymar deveria ir para a Copa porque se trata de um ídolo. Pois bem. Que age como tal.

Neymar pela seleção brasileiraNeymar pela seleção brasileira. Foto: IMAGO / DeFodi Images

Ficou bem evidente contra a Escócia que, com a exceção de bolas paradas, Neymar não estava em condições para fazer uma boa Copa. Foi um espanto, então, quando Ancelotti o colocou em campo durante o segundo tempo contra a Noruega. Depois, com certa elegância, o técnico assumiu a culpa por uma substituição mal feita. Longe da condição ideal, não dá para compilar o Neymar para o seu nível de jogo. O seu comportamento, porém, é outro assunto.

Sempre — e mais uma vez tenho que frisar a insignificância da minha opinião — argumentava na mídia internacional que embora Neymar possa parecer um adolescente mimado, que ele tem outros lados, que ele sempre tem sido muito querido no vestiário justamente por seu pensamento coletivo. Mas o que aconteceu contra a Noruega não tem defesa.

A Seleção estava precisando do seu ídolo — e se este não pode desequilibrar tecnicamente, deveria pelo menos agregar calma e bom senso.

Em vez disso, Neymar deveria ter sido expulso por um pontapé violento. E depois, quando, do nada, o Brasil ganha um pênalti, ele leva horas — quando o seu time só tem segundos — em provocações baratas com o goleiro adversário. Pensando nele, e não nas necessidades do time, é o comportamento oposto do verdadeiro ídolo.

FONTE/CRÉDITOS: Pedro Ramos
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