Resgatar a escalação do Newcastle da última temporada e compará-la com a atual é surpreendente. A espinha dorsal do time se foi. O meio-campo perdeu Bruno Guimarães e Sandro Tonali, rumo a Arsenal e Tottenham, respectivamente, e o ataque ficou sem o artilheiro Anthony Gordon e Nick Woltemade. Até Joelinton, que não deixou o time, ainda nem jogou por 2026/27.
A equipe perdeu ainda o experiente Kieran Trippier, liderança no vestiário. Os substitutos na janela de transferências, oito reforços diferentes, todos abaixo dos 24 anos. O caos ficou ainda maior com o pedido de demissão de Eddie Howe no fim da pré-temporada. Matthias Jaissle, o novo técnico, teve apenas 18 dias de trabalho até o início da temporada.
Parece que o projeto do time era só para o futuro. Este só seria um ano de transição. Mas, mesmo nesse contexto maluco, os Magpies só perderam um jogo após cinco jogos da atual Premier League. É fruto da rápida adaptação do comandante alemão.
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Newcastle manteve filosofia e jovens desabrocharam
Nos últimos anos, o Newcastle de Howe se destacou justamente por sua capacidade física de sustentar pressão e transições quase que por 90 minutos. A chegada de Jaissle, da escola da Red Bull de intensidade, é uma versão ainda mais radical dessa linha de pensamento e é um dos motivos para o sucesso até aqui.
Sem a bola, a equipe pressiona no campo de ataque em um 4-4-2 com marcação individual que sufoca o adversário e muitas vezes obriga lançamentos. “Ele deixa claro o que quer. Não importa quem você é ou quantos jogos você tenha disputado”, explicou o zagueiro Malick Thiaw à “TNT Sports” sobre seu técnico.
— Ele quer que você jogue pelo time, com intensidade, sem recuar ou fazer um pouco menos do que os outros. Todos precisam estar no mesmo barco e lutar juntos, dar tudo de si. E, sim, essa é a maneira dele de conduzir as coisas — completou.
A estrutura ofensiva do time teve uma leve mudança. O 4-3-3 deu lugar a um 4-2-3-1, no qual Lewis Miley e Nico Gónzalez, um dos jovens contratados, vindo do Manchester City, formam a dupla de volantes. À frente deles, de meia, Joe Willock, que fica atrás de Yoane Wissa, centroavante muito móvel.
A forma de atacar é também parecida com Howe, focada em verticalizar assim que recupera a bola — segundo bastidores dos treinos publicados pelo “Daily Mail”, o técnico “pune” passes para trás em atividades específicas. Contra o Hull City, a agressividade de Lewis Hall para antecipar a marcação iniciou o segundo gol da vitória por 2 a 1.
O Liverpool também foi vítima disso nos dois gols do empate por 2 a 2 na abertura da Premier League, com contra-ataques puxados por Anthony Elanga e Wissa, dois jogadores contratados na última temporada, mas que só agora se firmam.
Isso é uma das razões do sucesso do time. Não são só os jovens recém-chegados, como González, Lukás Horícek, o novo nome do gol, Amar Dedic, da lateral direita, e Sean Steur, que têm sido os responsáveis pelo bom momento. Wissa, Elanga, Harvey Barnes e Sven Botman são alguns dos que oferecem a experiência à equipe.
Equipe voa mesmo sem Joelinton e outros lesionados
A boa campanha do Newcastle, com duas vitórias, dois empates e só uma derrota, vem apesar de a equipe lutar para ter todo mundo à disposição. No último jogo antes da parada para a Data Fifa, eram nove desfalques: Dan Burn, Joelinton, Jacob Ramsey, William Osula, Nico Gonzalez, Ewen Jaouen, Elanga, Tino Livramento e Dedic.
Burn e Joelinton sequer entraram em campo na temporada; Ramsey, Livramento, Jaouen e Osula só ficaram à disposição em uma partida de Premier League. Os 23 dias entre a vitória sobre o Hull e o jogo desta segunda-feira (12), contra o Coventry, devem ajudar o Newcastle a recuperá-los e ter um elenco mais diverso.
Mesmo assim, o feito de Jaissle é notável. O treinador alemão ainda mantém os pés no chão, sabendo que o clube passa por uma transição e um novo momento. “O início foi bom, mas somos realistas: com certeza também haverá desafios pela frente”, assumiu à “TNT Sports”.

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