O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A decisão também atinge o diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa.
No despacho, Mendonça citou a obra “1984”, de George Orwell, ao comparar a situação envolvendo relatórios de inteligência da PF ao cenário de vigilância retratado no livro. Segundo o ministro, os documentos teriam analisado sua atuação no Supremo e incluído informações sobre outras autoridades, o que classificou como uma situação de extrema gravidade.
Mendonça também determinou a suspensão da produção ou do compartilhamento de relatórios de inteligência destinados a analisar a atuação funcional de ministros do STF. Para o magistrado, houve atividades irregulares de monitoramento e coleta direcionada de informações contra ele e contra o advogado-geral da União, Jorge Messias.
A decisão ocorre em meio ao aumento da tensão entre André Mendonça e Alexandre de Moraes. Relator do caso envolvendo o Banco Master, Mendonça retirou, no dia 1º de setembro, o sigilo de investigações que apontavam proximidade entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Dias depois, Moraes pediu a abertura de uma investigação contra Mendonça com base em um documento da PF que levantava questionamentos sobre a atuação do ministro no caso Master.
Ao justificar os afastamentos, Mendonça afirmou que os relatórios apresentavam fragilidades técnicas e extrapolavam as atribuições legítimas da atividade de inteligência. O ministro também citou decisões anteriores de Flávio Dino e do próprio Alexandre de Moraes como precedentes para sustentar as medidas adotadas contra a direção da Polícia Federal.

Comentários: