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Domingo, 11 de Outubro de 2026
Liverpool x Manchester City: Primeiro clássico pós-julgamento revive ‘danos’ aos Reds

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Liverpool x Manchester City: Primeiro clássico pós-julgamento revive ‘danos’ aos Reds

Liverpool e Manchester City se enfrentam neste domingo (11), pela Premier League, e o confronto em Anfield já seria importante por si só. Os dois estão entre os invictos da Premier League, o City lidera a competição e uma vitória do Liverpool pode colocar o time de Andoni Iraola na segunda posição, imediatamente atrás do …

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Liverpool x Manchester City: Primeiro clássico pós-julgamento revive ‘danos’ aos Reds

Liverpool e Manchester City se enfrentam neste domingo (11), pela Premier League, e o confronto em Anfield já seria importante por si só. Os dois estão entre os invictos da Premier League, o City lidera a competição e uma vitória do Liverpool pode colocar o time de Andoni Iraola na segunda posição, imediatamente atrás do adversário.

Mas o contexto mudou completamente nas últimas semanas. Em setembro, uma comissão independente concluiu que o Manchester City cometeu graves violações das regras financeiras da Premier League durante nove temporadas, entre 2009/10 e 2017/18. Segundo a própria liga, o clube utilizou contratos comerciais fraudulentos, apresentou contas incorretas e ocultou informações sobre sua situação financeira.

É justamente nesse ponto que Liverpool x City ganha outra camada. Porque, entre todos os grandes clubes que passaram pela era de domínio do Manchester City, poucos têm uma relação tão direta com as margens estreitas dessa história quanto o Liverpool.

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O Liverpool perdeu para o Manchester City por margens que quase nunca existiram

A rivalidade entre Liverpool e Manchester City foi construída durante anos em que os clubes produziram campanhas que, em praticamente qualquer outra temporada, seriam suficientes para conquistar o campeonato. O primeiro grande capítulo aconteceu em 2013/14.

O Liverpool de Brendan Rodgers marcou 101 gols, venceu 26 partidas e terminou com 84 pontos. Luis Suárez marcou 31 vezes, Daniel Sturridge fez 21, e os Reds chegaram a controlar a corrida pelo título durante boa parte da temporada. No fim, porém, o City de Manuel Pellegrini terminou com 86 pontos e levou a taça.

A temporada 2013/14 está dentro do intervalo analisado pela comissão independente. Isso não significa que a decisão tenha declarado que o título de 2014 foi “roubado” do Liverpool ou que exista uma determinação para transferi-lo de Manchester para Merseyside. Significa apenas que a campanha que terminou com aquele troféu ocorreu dentro do período em que a comissão concluiu que o City cometeu as violações financeiras descritas no processo. Mas é uma ferida.

Ferran Soriano, CEO do Manchester City, e Khaldoon Al Mubarak, presidente do clubeFerran Soriano, CEO do Manchester City, e Khaldoon Al Mubarak, presidente do clube. Foto: IMAGO / Mark Pain

E há outra é ainda maior. Em 2018/19, o Liverpool de Jürgen Klopp alcançou 97 pontos, venceu 30 das 38 partidas e perdeu apenas uma. Foi a terceira maior pontuação da história da Premier League na época e ainda assim não foi suficiente. O City chegou a 98. Um ponto separou as equipes.

O detalhe que torna aquela temporada tão simbólica é que o Liverpool não caiu diante de um campeão que simplesmente administrou uma vantagem construída durante meses. O time de Klopp foi obrigado a manter uma taxa de aproveitamento extraordinária até a última rodada porque o City não parava de ganhar. Os dois chegaram ao fim da temporada separados por um ponto, com o campeão vencendo seus últimos 14 jogos de liga e terminando com 98 pontos.

Depois veio 2021/22. Liverpool terminou com 92 pontos. Perdeu somente duas partidas durante toda a competição. O City terminou com 93. Mais uma vez, um ponto. Mais uma vez, a disputa foi até a última rodada. E mais uma vez o Liverpool havia construído uma campanha que, em quase toda a história da Premier League, seria suficiente para conquistar o título.

São três temporadas, portanto, que ajudam a explicar por que o Liverpool aparece inevitavelmente no debate depois do veredito. Em 2013/14, foram dois pontos. Em 2018/19, um. Em 2021/22, outro. Mas existe uma diferença fundamental entre essas histórias: só a primeira está dentro do período específico analisado pela comissão no caso financeiro.

Isso não permite afirmar que os dois títulos perdidos para o City foram consequência direta das irregularidades financeiras. Seria uma extrapolação que o veredito não sustenta. O que a decisão faz não é reescrever automaticamente a tabela histórica. Ela muda a pergunta que fazemos sobre aquelas temporadas.

Depois do veredito, surge outra pergunta: em que medida a capacidade do City de construir e manter aquele nível de elenco foi influenciada pelas vantagens financeiras que a comissão considerou ilegítimas? É uma pergunta que o torcedor do Liverpool tem feito desde então.

Liverpool poderia, ou não, ser campeão ‘sem o City'

Klopp em jogo do Liverpool em 2018Klopp em jogo do Liverpool em 2018. Foto: IMAGO / Sportimage

É tentador olhar para as três campanhas e concluir que Liverpool deveria ter três títulos a mais. Mas o futebol não funciona dessa maneira. Uma eventual punição esportiva, caso seja aplicada, ainda precisará ser definida, e o City terá direito ao processo de recurso.

Além disso, seria impossível demonstrar que o Liverpool teria necessariamente vencido as temporadas em que terminou atrás do City. O futebol tem uma quantidade enorme de variáveis. Se o City tivesse tido menos recursos, poderia ter contratado jogadores diferentes. Se tivesse menos profundidade, poderia ter perdido pontos em determinados momentos.

Mas o Liverpool também poderia ter jogado de maneira diferente, feito outras contratações ou enfrentado adversários em contextos diferentes. Não existe uma realidade alternativa que possa ser reconstruída com precisão. Existe, entretanto, algo mais concreto para analisar: a profundidade do elenco e a capacidade de transformar dinheiro em margem competitiva.

Uma das grandes características do Manchester City de Guardiola foi justamente a possibilidade de substituir jogadores de altíssimo nível sem destruir a qualidade da equipe. E essa talvez seja uma das maiores vantagens estruturais que o dinheiro pode proporcionar: não necessariamente comprar o melhor jogador de cada posição, mas construir um elenco no qual a queda de rendimento entre titular e reserva seja pequena.

O Liverpool de Klopp chegou muito perto disso. Virgil van Dijk, Alisson, Mohamed Salah, Sadio Mané e Roberto Firmino formaram um time extraordinário. O clube venceu a Champions League em 2019 e a Premier League em 2020 com 99 pontos. Mas competir com o City durante anos exigiu uma regularidade absurda.

É por isso que o debate sobre o City não precisa ser reduzido a “quantos títulos o Liverpool deveria receber?”. Mas talvez vire “quantos pontos o Liverpool precisou conquistar a mais para competir com um adversário que construiu parte de sua vantagem financeira por meios que violavam as regras?“

Anfield recebe o City em um jogo que já não pertence apenas a 2026

Maresca, técnico do Manchester City (Foto: IMAGO/Every Second Media)

O Liverpool não vai receber um Manchester City que chega a Anfield apenas tentando defender a liderança. Vai receber um clube que, pela primeira vez desde que as acusações foram formalmente apresentadas, entra em um jogo importante da Premier League depois de um veredito que confirmou parte substancial daquilo que os rivais vinham discutindo havia anos.

O City foi considerado culpado de 114 acusações. A comissão concluiu que houve contratos fictícios, contas incorretas e ocultação da situação financeira real do clube. O City, por sua vez, mantém que as conclusões contêm erros de fato e de direito e pretende recorrer.

A repercussão já chegou a Anfield. A “Reuters” descreveu a atmosfera esperada para domingo como particularmente hostil, em um estádio que historicamente transforma grandes jogos contra o City em eventos de enorme intensidade. A polícia de Merseyside confirmou que medidas de segurança apropriadas estarão em vigor.

O Liverpool tem a oportunidade de transformar a discussão histórica em algo imediatamente esportivo. Uma vitória em Anfield não vai devolver um título de 2014, 2019 ou 2022, nem alterar o passado. Mas pode colocar o time de Iraola na segunda colocação e reduzir a distância para o líder justamente em uma temporada na qual o City chega ao primeiro grande confronto doméstico depois do veredito.

É também uma oportunidade para o Liverpool fazer algo que não conseguiu em duas das disputas mais apertadas contra o City: ganhar o confronto direto que poderia mudar a dinâmica da corrida.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Ramos
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