A vitória do Real Madrid no clássico contra o Barcelona teve um significado especial para Andriy Lunin. Escalado de última hora para substituir Thibaut Courtois, afastado por uma gripe, o goleiro ucraniano correspondeu à responsabilidade em um dos jogos mais exigentes da temporada.
Após o apito final, enquanto jogadores e integrantes da comissão técnica comemoravam o resultado, José Mourinho fez questão de procurá-lo para um abraço que simbolizou a confiança depositada no camisa 13.
O gesto não foi apenas uma demonstração de satisfação pelo desempenho do reserva. Mourinho já vinha trabalhando para fortalecer a confiança de Lunin, consciente da dificuldade de se preparar para uma partida desse porte sem ter a certeza de que seria titular. Em conversas individuais, o treinador português procurou deixar claro que a presença de Courtois não diminui a qualidade do ucraniano, que precisa estar pronto para responder quando recebe uma oportunidade.
“Courtois é um dos melhores do mundo, mas você também está entre os melhores. Caso contrário, você não estaria aqui no Real Madrid. Esse mérito é seu”, é a mensagem que Mourinho transmite a Lunin desde sua chegada, segundo o jornal “AS”.
Mourinho destaca preparação mental de Lunin após o Clásico
A confiança do treinador no ucraniano ficou evidente na entrevista coletiva pós-clássico. Mesmo sem uma pergunta direcionada especificamente a Lunin, Mourinho aproveitou a oportunidade para destacar a postura do goleiro e explicar como conduziu a decisão de escalá-lo no Camp Nou.
— Se tivéssemos perdido, teriam me perguntado sobre o Lunin, mas esta manhã (domingo) eu apenas disse a ele: ‘Você treina para jogar, não para ficar no banco, vá jogar'. E ele fez uma partida muito equilibrada e tranquila. Temos o melhor goleiro do mundo, mas hoje nenhum de nós chorou porque o Thibaut não jogou. O grupo é forte.
A declaração mostra como Mourinho procurou transmitir segurança ao jogador antes de um compromisso que exigia concentração máxima. A possibilidade de substituir um goleiro do nível de Courtois poderia representar uma pressão adicional, sobretudo pela dimensão do clássico e pela importância do resultado. O treinador, porém, preferiu reforçar a ideia de que Lunin precisava confiar na própria preparação e executar o trabalho para o qual vinha treinando.
Essa abordagem também se encaixa na maneira como o comandante conduz o relacionamento com o elenco. Embora Nuno Santos, treinador de goleiros, seja uma das figuras mais próximas de Courtois e Lunin, o português mantém conversas individuais com os jogadores e procura acompanhar o grupo para além das decisões tomadas na escalação.
Defesa decisiva e discurso coletivo marcam atuação do ucraniano
Dentro de campo, Lunin justificou a confiança recebida com uma atuação segura. O goleiro teve participação importante no resultado e protagonizou uma defesa espetacular aos 21 minutos do segundo tempo, quando impediu que a cabeçada de Gerard Martín terminasse em gol. A intervenção foi um dos momentos de destaque de uma partida na qual o Real Madrid precisou suportar a pressão do Barcelona.
E vale lembrar que não é de hoje que o arqueiro ucraniano corresponde às expectativas quando é acionado. Lunin foi o grande herói na classificação do Real contra o Manchester City nas quartas de final da Champions League 2023/24, fazendo defesas cruciais no tempo normal e defendendo dois pênaltis na disputa de penalidades. Também assumiu a meta na reta final de LaLiga e na conquista da Supercopa da Espanha, em janeiro de 2024
Depois do clássico no Camp Nou, o ucraniano preferiu dividir os méritos com os companheiros e ressaltou a importância da postura coletiva para conquistar os três pontos fora de casa. Para ele, a disciplina e a disposição para enfrentar as dificuldades foram determinantes diante de um adversário que teve mais posse de bola.
— A disciplina e a atitude foram fundamentais porque o Barcelona teve mais posse de bola. Também a vontade, porque jogar fora é complicado e hoje esses três pontos eram importantes. Todos sabemos como estava a situação.
Lunin também destacou a necessidade de a equipe saber se adaptar aos diferentes momentos do jogo. Contra adversários de alto nível, nem sempre é possível controlar a partida com a bola ou criar oportunidades de maneira constante. Nessas circunstâncias, a capacidade de resistir à pressão e permanecer organizado passa a ter peso decisivo.
— O trabalho coletivo foi importante. Quando você pode dominar, jogar bem e tentar manter o gol a zero, você o faz, mas quando a partida está difícil, especialmente contra grandes adversários como o de hoje, é preciso saber sofrer, controlar os jogos e ser uma equipe até o final.

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