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Quinta-feira, 16 de Abril de 2026
Azul despenca após oferta de ações em meio a processo de reestruturação

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Azul despenca após oferta de ações em meio a processo de reestruturação

Emissão de cerca de 1,4 trilhão de novos papéis dilui participação de acionistas e desagrada mercado

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Os papéis da Azul enfrentavam forte turbulência nesta sexta-feira (26). Por volta de 16h, as novas ações preferenciais da companhia aérea (AZUL54) caíam 25%. No pior momento do dia, chegaram a despencar quase 50%.

Na última segunda-feira (22), a Azul anunciou ao mercado que realizaria uma ofera pública de distribuição primária de ações ordinárias e preferenciais. Os papéis passariam a ser negociados sob os tickers AZUL53 e AZUL54, respectivamente.

A aérea emitiu 723.861.340.715 novas ações de cada tipo. A operação foi estimada em torno de R$ 7,44 bilhões. “Para chegar ao valor real de cada ação, o investidor precisa dividir o preço de tela por 10 mil”, explica Ian Lopes, economista e assessor da Valor Investimentos.

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“Esse tipo de operação no mercado sempre mostra a fragilidade que a empresa está no momento e dificuldades para renegociar processos de dívida”, pontua Lopes.

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Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, ressalta que as mudanças no lote padrão podem “gerar alguma confusão inicial da leitura pelos investidores”, além de “trazer um ajuste técnico, porque foi uma mudança significativa”.

“O mercado está reagindo ao plano de capitalização, que vai envolver uma emissão relevante de novas ações, e a conversão da dívida em capital. A consequência disso é que vai diluir muito a participação dos acionistas hoje, e aí o mercado segue se ajustando a esse novo cenário que a empresa vai passar de agora em diante”, avalia Mollo.

Em maio, a companhia entrou com pedido de chapter 11 – processo da legilação norte-americana semelhante à recuperação judicial brasileira. O trâmite permite à empresa manter suas operações em relativa normalidade enquanto tenta se reestruturar.

No caso da Azul, o acordo previa um compromisso de US$ 1,6 bilhão em financiamento, a eliminação de mais de US$ 2 bilhões em dívidas e um adicional de até US$ 950 milhões em financiamento em equity. Em julho, a companhia recebeu a aprovação final da Justiça norte-americana para o financiamento bilionário na modalidade DIP (debtor in possession)

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Há cerca de duas semanas, um juiz dos Estados Unidos aprovou a reestruturação da dívida da aérea, permitindo que a companhia reduzisse os mais de US$ 2 bilhões em dívidas e captassee recursos por meio da oferta de direitos de subscrição de ações e investimento.

O despejo de novos papéis no mercado é uma tentativa de elevar capital. “O mercado detesta porque acaba obliterando [a participação proporcional] do acionista minoritário”, pondera Ian Lopes.

Outro sinal negativo dos últimos dias ao mercado foi que, em meio ao processo de recuperação, a Azul anunciou a repactuação de um acordo com a Embraer, reduzindo encomendas de aeronaves.

“O mercado está precificando uma participação acionária residual em uma empresa em transformação estrutural, com incertezas sobre geração de caixa futura e participação acionária final após a reestruturação, fatores que dominam agora a avaliação do ativo mais do que os fundamentos operacionais tradicionais do setor aéreo”, conclui André Matos, CEO da Ma7 Negócios.

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FONTE/CRÉDITOS: Admin User
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