O Nubank confirmou, nesta segunda-feira (10), a demissão por justa causa de dois funcionários suspeitos de planejarem ataques aos sistemas internos da empresa. De acordo com a instituição financeira, a ação foi descoberta por meio de procedimentos rotineiros de segurança cibernética, que detectaram indícios de sabotagem antes que qualquer dano fosse causado.
Em nota, o banco digital afirmou que “atua com rigor em seus protocolos de Segurança da Informação” e que o episódio foi contido de forma preventiva. A empresa também informou que encaminhará as evidências às autoridades competentes para as devidas providências legais.
As demissões ocorrem em meio a um período de forte tensão interna no Nubank. Nas últimas semanas, a fintech foi alvo de protestos de funcionários contrários à decisão de encerrar o regime de trabalho remoto — modelo adotado desde a pandemia — e retornar ao formato híbrido presencial.
A nova política prevê que, a partir de julho de 2026, cerca de 70% dos colaboradores precisarão comparecer ao escritório duas vezes por semana, e a partir de 2027, três vezes por semana. A mudança gerou insatisfação, especialmente entre empregados que vivem fora dos grandes centros urbanos, que alegam não ter condições logísticas para o deslocamento.
Durante uma reunião virtual com milhares de participantes, houve manifestações contrárias à medida, e parte dos comentários publicados no chat interno levou a empresa a demitir outros colaboradores por “conduta inadequada”, segundo comunicado anterior do Nubank.
Agora, com as novas demissões ligadas a um suposto plano de sabotagem, o clima entre os trabalhadores se tornou ainda mais tenso. O Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região informou que solicitou uma reunião urgente com a diretoria da fintech para pedir esclarecimentos sobre os critérios adotados nas demissões e reforçar a necessidade de diálogo com os empregados.
Especialistas em governança corporativa avaliam que o episódio expõe o desafio das grandes empresas de tecnologia em equilibrar segurança, transparência e cultura organizacional. O Nubank, por sua vez, reforçou que “não tolera qualquer violação de conduta ética ou risco à integridade dos sistemas” e que mantém todos os seus serviços funcionando normalmente.
O caso segue em apuração e poderá ter desdobramentos judiciais, caso as autoridades entendam que houve crime digital. Enquanto isso, a fintech tenta conter os impactos na imagem e na confiança de seus mais de 100 milhões de clientes.

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