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Quinta-feira, 16 de Abril de 2026
Elon Musk e Donald Trump: a ruptura de uma aliança política

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Elon Musk e Donald Trump: a ruptura de uma aliança política

O bilionário e o presidente trocam farpas após Musk deixar o governo, revelando tensões sobre o impacto de sua parceria na eleição de 2024

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Em um movimento que agitou o cenário político americano, o bilionário Elon Musk, dono da Tesla, SpaceX e X, respondeu publicamente às críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira, 5 de junho de 2025. A troca de acusações expôs uma crescente tensão entre os dois, que já foram aliados próximos, e reacendeu debates sobre o papel de Musk na vitória eleitoral de Trump em 2024.

Em uma postagem no X, Musk afirmou: “Sem mim, Trump teria perdido a eleição, os democratas controlariam a Câmara e os republicanos estariam em 51-49 no Senado. Tanta ingratidão”. A declaração foi uma resposta direta à fala de Trump no Salão Oval, onde o presidente minimizou a influência de Musk, dizendo: “Eu teria vencido na Pensilvânia independentemente de Elon. Estou muito decepcionado com ele”.

O peso de Musk na campanha de 2024

A relação entre Musk e Trump, que já teve momentos de atrito no passado, foi marcada por uma colaboração intensa durante a campanha presidencial de 2024. Musk, que investiu mais de US$ 290 milhões na eleição, segundo documentos da Comissão Eleitoral Federal (FEC), tornou-se o maior doador individual do ciclo eleitoral, superando até mesmo outros megadoadores.

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Grande parte desse montante foi direcionada ao America PAC, um comitê de ação política criado por Musk para apoiar Trump, com foco em mobilizar eleitores em estados-chave, como a Pensilvânia, através de campanhas de campo e ações controversas, como sorteios diários de US$ 1 milhão para eleitores registrados que assinassem uma petição em defesa da liberdade de expressão e do direito ao porte de armas.

Além do apoio financeiro, Musk usou sua plataforma X como um megafone para promover mensagens alinhadas ao movimento “Make America Great Again” (MAGA), amplificando pautas conservadoras e, em alguns casos, compartilhando conteúdos polêmicos, como ataques à então candidata democrata Kamala Harris. Ele também participou ativamente de eventos de campanha, aparecendo ao lado de Trump em comícios, como o de Butler, na Pensilvânia, onde usou um boné preto com a inscrição “MAGA” e defendeu a eleição de Trump como essencial para “preservar a democracia”.

A criação e o fim do DOGE

Após a vitória de Trump, Musk foi nomeado para liderar o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE, na sigla em inglês), uma iniciativa proposta pelo próprio bilionário durante uma conversa com Trump em agosto de 2024, transmitida ao vivo no X. O DOGE tinha como objetivo realizar uma auditoria completa do governo federal, reduzir gastos e cortar a burocracia, com Musk prometendo eliminar até US$ 2 trilhões do orçamento federal.

Durante seu mandato, o departamento foi responsável por cortes de cerca de US$ 175 bilhões, incluindo vendas de ativos, cancelamentos de contratos e redução de fraudes, segundo informações do site oficial do DOGE. No entanto, a agência enfrentou críticas de democratas, que a acusaram de promover uma “tomada hostil” do governo federal, e até de alguns republicanos, preocupados com o impacto político das medidas.

Musk deixou o cargo na semana passada, em 28 de maio de 2025, ao fim de seu contrato como “funcionário especial do governo”, limitado a 130 dias por ano, conforme exigido pela legislação americana. Ele anunciou sua saída em uma postagem no X, afirmando que o DOGE continuaria como parte do “DNA” do governo federal, mas que ele precisava se concentrar em suas empresas, especialmente Tesla, SpaceX e X, que enfrentam desafios como quedas nas vendas da Tesla e problemas técnicos em testes da SpaceX. Um funcionário da Casa Branca confirmou à CNN que Musk iniciou o processo de desligamento na noite de sua saída, marcando o fim de sua atuação direta na administração Trump.

A origem do conflito

A ruptura entre Musk e Trump ganhou força após o bilionário criticar publicamente um projeto de lei de orçamento proposto pelo presidente, que Musk classificou como uma “abominação nojenta” por aumentar o déficit orçamentário em cerca de US$ 2,3 trilhões ao longo de uma década, segundo estimativas do Congressional Budget Office. A crítica de Musk veio em um momento delicado, já que o projeto é uma das prioridades legislativas de Trump, e o líder da maioria no Senado, John Thune, trabalha para aprová-lo até 4 de julho. Trump, por sua vez, sugeriu que a insatisfação de Musk estava ligada à proposta de corte de incentivos fiscais para veículos elétricos, o que poderia prejudicar a Tesla. Musk rebateu, afirmando que sua preocupação era com o déficit orçamentário, não com os subsídios para sua empresa.

O embate público marca uma mudança significativa na relação que, até recentemente, parecia sólida. Durante a campanha, Trump elogiou Musk como um “gênio” e uma “estrela em ascensão”. No entanto, as críticas de Musk ao governo e sua saída do DOGE geraram desconforto na Casa Branca. Segundo o The New York Times, Trump ficou particularmente irritado ao saber que Musk receberia um briefing confidencial sobre a China no Pentágono, levantando preocupações sobre possíveis conflitos de interesse, dado que as empresas de Musk, como Tesla e SpaceX, têm contratos significativos com o governo federal.

Impacto nas empresas de Musk

A saída de Musk do governo e o atrito com Trump ocorrem em um momento crítico para suas empresas. A Tesla enfrenta uma queda de 71% nos lucros e uma redução nas vendas no primeiro trimestre de 2025, atribuídas em parte à controvérsia envolvendo o papel de Musk na administração Trump. A SpaceX, por sua vez, sofreu um revés com a explosão de um foguete Starship durante um teste recente, apesar de um lançamento inicial bem-sucedido. Musk já sinalizou que planeja reduzir seu envolvimento político para focar em seus negócios, afirmando em uma entrevista ao Ars Technica que “talvez tenha passado tempo demais na política”.

Repercussão e perspectivas

A troca de farpas entre Musk e Trump reflete não apenas uma disputa pessoal, mas também as tensões entre dois gigantes com personalidades fortes e visões de poder que nem sempre se alinham. Enquanto Musk busca consolidar sua influência como um “tecnolibertário” e defensor da desregulamentação, Trump parece determinado a manter o controle sobre sua agenda política. A saída de Musk do DOGE e suas críticas ao governo levantam questões sobre o futuro de sua relação com a administração e o impacto de sua influência no cenário político americano.

Analistas sugerem que a rixa pode ter consequências para ambos. Para Musk, a deterioração do relacionamento com Trump pode limitar sua capacidade de influenciar políticas que beneficiem suas empresas, como a redução de regulamentações para veículos autônomos ou contratos espaciais. Para Trump, a perda do apoio de Musk, um dos maiores doadores republicanos, pode complicar os esforços do partido para manter a base de apoio financeiro e midiático de cara às eleições de meio de mandato em 2026.

Enquanto o futuro da aliança Musk-Trump permanece incerto, o embate público entre os dois é um lembrete do peso que bilionários como Musk têm na política americana — e dos limites de sua influência quando confrontados com a dinâmica do poder em Washington.

FONTE/CRÉDITOS: Admin User
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